Quase cem profissionais ligados a empresas e granjas de vários estados brasileiros, incluindo a equipe da Plataforma AgroRevenda, do Grupo Publique, lotaram a sala Ibiza do Hotel Premium, em Campinas (SP), nesta sexta-feira, dia 28, para acompanhar a quinta edição do “Workshop & Bate Papo | APCS – CSP”, tradicional evento mensal promovido pela Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS) e Consórcio Suíno Paulista (CSP), dirigido a gerentes, encarregados e proprietários de granjas filiadas à associação e ao consórcio. O tema desta jornada foi “As Fases na Terminação Suína”, apresentado e debatido em três palestras de profissionais renomados do segmento.

O encontro teve, ainda, a presença dos presidentes das associações de criadores de Santa Catarina (ACCS), Losivânio de Lorenzi, e do Paraná (APS), Jacir José Dariva, além do diretor da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ariel Antonio Mendes.

Durante a abertura, o presidente da APCS, Valdomiro Ferreira Junior, enfatizou que o suinocultor precisa estar continuamente preocupado com as margens do negócio, independentemente dos ciclos que afetam o segmento. “Nosso olhar precisa ficar atento à qualidade do animal que produzimos, sempre, pois isto vai garantir renda em todos os momentos”, aconselhou.

A primeira apresentação foi de Don Malcolm, da empresa Choice Genetics, que falou sobre os investimentos feitos atualmente nos Estados Unidos para garantir boa ambiência nas granjas e obter os melhores resultados devido ao comportamento dos animais.

Na sequência, George Löwen, também da Choice Genetics, destacou os primeiros resultados do lançamento do Reprodutor Macho Terminado P81, um exemplar pesquisado e focado na eficiência alimentar. “Foram altos investimentos realizados pela sede americana da empresa. O animal foi concebido a partir de três objetivos principais: ganho de peso diário, conversão alimentar e composição da carcaça”, reforçou.

Por último, o médico veterinário Lucas Fernandes dos Santos, do Laboratório Microvet, abordou as doenças que impactam diretamente no resultado da granja e indústria. “Temos que nos atentar para a gravidade das doenças respiratórias. Influenza, APP, Micoplasma. E Salmonela também. De qualquer maneira, o problema mais sério na última etapa da criação são as lesões causadas no trato gastrointestinal. E o animal não consegue transformar nutrição em carne. É custo mesmo. Precisamos ficar de olho na salmonela. Até porque ela está indo da creche para a terminação”, alertou Lucas.

No encerramento do encontro, os palestrantes e o público participaram de um debate sobre os assuntos apresentados, e ainda analisaram as condições do mercado brasileiro e mundial da carne suína, bastante afetadas pelas perdas internacionais de países europeus e asiáticos com o alastramento da Peste Suína Africana (PSA). “Pelas informações que recebemos, as perdas na China já alcançam 16 milhões de toneladas, o dobro do total comercializado atualmente no mundo. Mas ainda não há informação sobre quantas matrizes foram abatidas no país. Isso seria vital para sabermos quanto tempo vai ser necessário para os chineses saírem desta situação. De qualquer maneira, já temos nove novas plantas aprovadas para a China e vários outros países vão precisar importar a carne”, informou Ariel Antonio Mendes.

“Penso que o auge da valorização do preço da carne deve ser outubro”, previu Losivânio de Lorenzi. “O momento realmente é muito positivo. Cabe aos produtores manterem-se firmes. Há menos animais, o segundo semestre é muito promissor. No Paraná, já se fala em R$ 6,50. Suíno acima de R$ 105,00 a arroba. É uma realidade. Não é assustador falar em R$ 120. O mercado está competitivo. Mas não podemos imaginar que está bom. Foram 16 meses de prejuízo total. Precisamos de pelo menos seis meses para pagar a conta perdida. E é hora de capitalizar, Sem nunca esquecer da importância da manutenção da Sanidade”, bradou Valdomiro Ferreira Junior. “No Paraná, já se fala em aumento de 30% na produção para atender ao aumento da demanda mundial nos próximos anos, principalmente pelas cooperativas interessadas no mercado externo”, contou Jacir Dariva.

Os participantes também falaram rapidamente sobre a possibilidade do Brasil desistir de sediar o IPVS 2020 como precaução diante do perigo da PSA.

O encerramento do workshop foi marcado por um almoço especial, com dois pratos preparados à base de carne suína: medalhão de pernil com molho doce e baião de dois com lombo. Na parte da tarde, a APCS e o Consórcio promoveram um bate papo exclusivo com os gerentes das granjas presentes.

A primeira edição do Workshop & Bate Papo da APCS e do Consórcio Suíno Paulista foi realizada em fevereiro e tratou do tema “A Suinocultura e o Meio Ambiente”. No segundo encontro, em março, o assunto foi “Fábrica de ração em uma granja de suínos”. O terceiro, em abril, tratou do “O mercado da Cadeia Produtiva da Carne Suína”. No quarto, organizado em maio, a APCS debateu sanidade suína e os reflexos na cadeia produtiva.

O sexto Workshop & Bate Papo vai ser realizado no próximo dia 26 de julho, para debater as “Regras sustentáveis para a Suinocultura”, inclusive com a presença de integrantes da Frente Parlamentar do Agronegócio. “Para se ter uma ideia da gravidade deste tema, hoje, somente no Estado de São Paulo, tramitam 74 projetos que impactam o agronegócio brasileiro”, convidou o presidente da APCS.

O Hotel Premium fica na Rua Novotel, 931, no Jardim Nova Aparecida, em Campinas (SP). E as inscrições dos interessados podem ser feitas pelo site www.apcs.com.br.

O número de rebanhos registrados da raça Senepol continua em expansão no País. O banco de dados da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol) já conta com 104.627 registros genealógicos. Na visão do vice-presidente da ABCB Senepol, Gilmar Goudard, esse desempenho mostra a grande aceitação do Senepol no mercado brasileiro. “Poucas raças no País atingiram essa marca nesse curto espaço de tempo. E essa história só começou graças ao pioneirismo de criadores em trazer uma raça nova para o Brasil, que ninguém conhecia. Foi preciso muita dedicação, confiança no projeto e visão de futuro, acreditando, naquela época, que o Senepol poderia contribuir para a pecuária nacional. Hoje, temos plena certeza de que essa contribuição já está ocorrendo”, assegura Goudard.

De acordo com a pecuarista e associada da ABCB Senepol, Caroline Rocha Regianini, a procura por animais registrados em seu estado, Santa Catarina, vem crescendo. “Ter um rebanho certificado é de extrema importância, pois é uma comprovação da qualidade de nossos animais. Nossos clientes estarão adquirindo produtos de valor agregado”, fala Caroline, terceira geração da família a conduzir a Cabaña Santa Filomena.

A propriedade fica no município de Zortea, na divisa com o Rio Grande do Sul, e já trabalhava com outras raças de corte. As primeiras transferências de embrião foram feitas há dois anos e, agora, o rebanho já tem a certificação da ABCB Senepol. Recentemente, o técnico da associação, Marcelo de Almeida Felício Filho, efetuou os primeiros registros do plantel. “A pecuária de corte vem crescendo em Santa Catarina e o Senepol é uma alternativa interessante, pois apresenta bons resultados em cruzamentos com outras raças. A procura por fêmeas e touros é grande e, em um futuro breve, poderemos atender”, afirma Caroline, que é formada em Medicina Veterinária. Ela se junta a outros 640 criadores em todo o Brasil que são associados da ABCB Senepol.

A associação atua como delegada do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para executar o Serviço de Registro Genealógico desde 2002, quando efetuou os primeiros registros de animais. Com a forte demanda do mercado por animais capazes de promover a pecuária de ciclo curto na última década, os rebanhos puros de Senepol se multiplicaram nos anos seguintes e tiveram um crescimento bastante acentuado a partir de 2013. Naquele ano, o banco de dados da ABCB Senepol tinha 26.840 animais registrados. Em 2014, já eram 68.166 registros e, agora, em 2019, já ultrapassa os 100 mil registros. “Esses números refletem que o trabalho desenvolvido pela entidade para fomento da raça e promoção do melhoramento genético animal vem dando resultados”, diz o presidente da ABCB Senepol, Pedro Crosara.

 

Um animal que comprovou o reconhecimento de um trabalho que busca equilíbrio, facilidade de parto, caracterização e modernidade que sempre marcam um grande raçador. Este foi o resultado da performance do Touro CEN 8969 EXEMPLO, cuja genética foi o grande destaque no leilão virtual ‘Seleções NeloreCEN’, realizado no dia 2 de junho. Filho de CEN Fajuta (CEN 1079 Talento), atualmente na Alta Genetics, CEN 8969 EXEMPLO teve três de seus primeiros produtos comercializados por uma média de R$ 16 mil, 40% acima da média verificada em todo o remate capitaneado pelo criador Carlos Eduardo Novaes, o Cadu Novaes.

O leilão obteve liquidez total e comercializou 85 touros e 25 fêmeas para 31 compradores de nove estados da Federação.  A média obtida pelos touros foi de R$ 11,5 mil.

“CEN 8969 EXEMPLO nasceu em setembro de 2013 e é fruto do trabalho de  seleção do NeloreCEN. Possui genealogia de muita consistência, sendo filho de Fajuta, uma das principais doadoras CEN. Isso ficou marcado pelos filhos dele adquiridos no leilão virtual, um atestado dado por quem mais entende desse tipo de investimento, que é o comprador. É a prova de toda a funcionalidade do CEN 8969”, analisa o Gerente de Corte Zebu da Alta Genetics, Rafael Jorge Oliveira.

Para que o resultado da produção seja eficaz, é necessário garantir que o manejo do gado interfira o mínimo possível na identificação de animais melhoradores. Além disso, o criador deve ter muita clareza das características que deseja selecionar para que possa imprimir de forma consistente ao longo do tempo, sem se perder com modismos. A produção de uma genética superior leva tempo e somente essa consistência permitirá que se chegue a um rebanho uniforme, em última instância, indício de que tais características serão predominantes na utilização dessa genética.

“Criamos e recriamos nossos animais totalmente a pasto e oferecemos suplementação proteica entre julho e outubro. Os machos destinados à venda são tratados nos 60 ou 90 dias que antecedem a comercialização, de forma que apresentem boa performance para serviço a campo. Nossa estação de monta é curta, de 65 dias. Isso nos ajuda a  fazer a seleção para fertilidade das matrizes”, esclarece Cadu Novaes.

O próximo leilão promovido pelo NeloreCEN vai ser realizado durante a Expogenética 2019, no dia 22 de agosto, na tradicional noite de quinta-feira. Serão ofertadas vacas doadoras de embriões, fêmeas de alta performance, tanto do criatório como de convidados,  e mais dez touros para repasse.

O NeloreCEN utiliza programas de melhoramento genético para auxiliar na avaliação do rebanho e para acasalamentos.

“Entretanto, jamais deixamos de ter em mente o tipo de gado que procuramos”, enfatiza Cadu, acrescentando que os princípios e critérios que regem a seleção NeloreCEN são os mesmos há mais de cinquenta anos e primam pela busca de animais rústicos, produtivos e funcionais.

Sobre o NeloreCEN – A história do NeloreCEN teve início em 1965. Desde o princípio, os trabalhos focaram prioritariamente o aumento da produtividade, preservando a caracterização racial, utilizando sempre as mais modernas técnicas – desde 1970, a inseminação artificial e, a partir de meados da década de 90, a transferência de embriões.

O criatório seleciona reprodutores e matrizes na Fazenda Crioula, em Valparaíso (SP), e tem seu rebanho avaliado por dois programas de melhoramento. A genética NeloreCEN está distribuída por todo o Brasil e em diversos países como Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, México, Angola e Moçambique.

 

O diretor de tecnologia e marketing da Connan Nutrição Animal, Marcio Nadai Bonin, anunciou com exclusividade ao “ Papo de Prateleira” que a empresa está fazendo fortes investimentos para atuar com mais força no setor de AgroRevendas. Com sede em Boituva (SP) e filial em Campo Verde (MT), a Connan – Nutrição Animal iniciou suas atividades em 2004 e hoje atua com produtos nos setores de gado de corte e leite, equinos e ovinos, Confira a entrevista.

Selecionadores de todo o país e representantes de diversas raças pedem mudanças na legislação, reivindicam direitos dentro do livre comércio pregado pelo atual governo e questionam os privilégios concedidos aos animais de sumário pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA)

Uma lei cinquentenária, assinada por Ernesto Geisel, ainda rege todo o mercado de material genético do Brasil e engessa o processo de melhoramento da pecuária bovina. O texto proíbe a comercialização de sêmen de todos os touros puros registrados – se estes não estiverem dentro de algum programa de avaliação – e legitima a exclusividade de venda de palhetas de animais com qualquer tipo de avaliação, mesmo que eles não tenham registro de pureza racial.

Criadores tradicionais e técnicos que trabalham para preservar o banco genético das raças zebuínas, por exemplo, não concordam com essa regra, e um movimento para reivindicar direitos contemplados em conceitos de livre comércio começa a tomar corpo no universo da pecuária seletiva.

“Esse negócio de ficar impondo excesso de regulamentação e que só pode comprar sêmen de animal que preencha certos requisitos não dá certo. Quem quer comprar sêmen do touro assim ou assado, deveria ter o direito de escolha. O criador tem que ser livre para trabalhar e usar o material genético que quiser e achar o que é melhor para o rebanho dele. Penso que o livre mercado é soberano e deve prevalecer”, ressalta Tonico de Carvalho, membro de uma das famílias mais tradicionais do Nelore e que realiza um dos mais antigos leilões da raça na Fazenda Brumado, em Barretos (SP). A seleção Brumado é uma das que prima pelos avanços fundamentados em pureza racial.

Outra abordagem dos membros desse movimento questiona a eficácia das informações divulgadas por sumários particulares que não sofrem nenhum tipo de auditoria oficial. Os programas independentes estimulam a disseminação de sêmen de touros produzidos apenas por cálculos matemáticos, além de exporem a prática de evasão fiscal por parte do Ministério, que a partir do momento que chancela os produtos desse mercado abre mão do recolhimento de ICMS. “Eu acho isso um absurdo. Essas avaliações que a gente vê em um monte de sumários por aí não estão condizentes com a realidade. Animais que são bem avaliados em um ano, no ano seguinte somem. O importante é um touro ter um registro genealógico comprovando que é puro de origem. O mercado é soberano, mas acho muito pior sair vendendo sêmen de boi cara limpa”, diz o pecuarista Fernando Zamora, da Fazenda Brasil, que fica no município de Sena Madureira (AC).

Um fato que deixou explícita a incoerência dessa situação foi produzido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em março desse ano. No treinamento interno para atualização e padronização dos conceitos de seleção dos jurados da entidade, o rebanho apresentado como referência era do time de um criador que seleciona por pureza racial há mais de 60 anos. Os animais da raça Nelore da Estância 2L, de Adir do Carmo Leonel, foram considerados modelo no evento, principalmente pelas qualidades relacionadas à produtividade. “Eu acho que é uma sequência de erros. Nosso direito tem que prevalecer com a livre concorrência, aconteça o que acontecer. Uma lei em que um animal puro e reconhecidamente melhorador é proibido de vender, com aval do Ministério, precisa ser revista. Tenho certeza de que a ministra vai achar um caminho e uma solução rápida para esse processo ter transparência dentro do MAPA”, analisa Paulo Leonel.

O tradicional Leilão do Fazendeiro, que teve a sua 29ª edição realizada há cerca de 60 dias, também exemplificou esse problema. No evento, que conquistou para a cidade de Camapuã, no Mato Grosso do Sul, o título de Capital do Bezerro de Qualidade, o lote campeão de 2019 tinha genética de um touro PO sem avaliação. Os 25 animais, com peso médio de 368 kg, filhos de Majavadhi do Arroio, do criador Altair de Pádua Mello, também foram os mais valorizados do remate. “Investi alto nesse touro que tinha qualificação. Ele foi muito bem aceito no mercado e tem produção comprovada em muitas fazendas de cria do Centro-Oeste, como da proprietária do lote premiado em Camapuã. O touro mantém demanda pela qualidade dos filhos, mas agora não posso mais vender sêmen do animal. Não sou contra nenhum programa de avaliação, mas quero ter o direito de trabalhar meus animais, que todo mundo quer e eu acho que são bons. O MAPA tem que exercer controle sanitário sobre a procedência, por exemplo, sem interferir em questão comercial”, explica o nelorista, que é proprietário da Fazenda Cacheado, de Aquidauana (MS).

Os reflexos da involução genética do rebanho, respaldada pela ingerência burocrática, são sentidos em diferentes níveis de descontentamento com a qualidade do gado que chega ao final da cadeia produtiva. Da Fazenda Conforto, de Nova Crixas (GO), o diretor do confinamento, Claudio Braga, comenta que o rebanho precisa de padronização e diz que a qualidade dos produtos independe de avaliação. “Não adianta comprar sêmen de um animal que tem essas DEPs quando ele não responde no acabamento na hora do abate. Para a indústria, que compra um bezerro para transformar ele em um boi, o importante é como e quando este chega ao abate. Nós temos que entregar um animal novo com qualidade e com acabamento. Não dá para ter um boi que começa a depositar gordura com 27@. Essa genética do Adir, com a qual temos um convênio e trabalhamos muito atualmente, é o tipo que encaixa na nossa proposta. Com 20@ ou 21@, as peças estão padronizadas e a carcaça está pronta com a cobertura de gordura ideal”, avalia o responsável pela compra e engorda de 100 mil bezerros por ano.

Em diversos espaços de redes sociais, como o “Grandes Raçadores Nelore” no Facebook, que tem mais de seis mil participantes, o assunto é debatido de forma aberta e prolongadamente, com postagens que recebem centenas de comentários. Muitas citações deixam clara a existência de um sentimento comum de que as instituições oficiais privilegiam determinado tipo de animal e de seleção, e que o argumento da promoção do melhoramento do rebanho camufla interesses pessoais dentro do MAPA, para manter a reserva de mercado dos touros de números dos programas. O médico-veterinário Arley Coelho da Silveira, da Fazenda Cabeceira, em Paraíso das Águas (MS), cria Nelore há 30 anos. O profissional é menos ativo na internet, mas tem as opiniões sempre compartilhadas pelos seus pares. “Já podemos notar a descaracterização avançando e sendo considerada como de menor importância. Muitos são levados pelo propósito comercial. Há inúmeros entendidos e muito animal que já não tem nome. A essência do Nelore se esvaindo, escorrendo como água entre os dedos afoitos em busca do dinheiro a todo custo. Muita teoria relativa querendo posar de absoluta e muitos desconhecedores dependurados nas réguas”, escreveu em um dos seus comentários.

A discrepância gerada pela lei afeta criatórios de outras raças além da Nelore, em que os selecionadores também enfrentam a mesma dificuldade e precisam engolir o descontentamento com as entidades que deveriam defender os interesses globais dos criadores e de seus associados, e não apenas de uma parcela deles.

Antônio Zanatta, diretor técnico da AssoGir (Associação Brasileira dos Criadores de Gir) e também criador, concorda que há o risco de um grande retrocesso na evolução do plantel nacional. “Temos ferramentas disponíveis. Você pode pegar um rebanho que só teve avaliação fenotípica, ou seja, que nunca teve nada mensurado em termos de ganho de peso, e identificar os de melhor Área de Olho de Lombo (AOL), que tem uma correlação enorme com volume de carcaça, e esse animal passaria isso à sua progênie, pois é uma característica de alta herdabilidade. Outra característica é a cobertura de gordura. Animais com facilidade em acumular gordura produzem filhos mais precoces sexualmente, o marmoreio dá mais sabor à carne e valor agregado ao produto, e assim por diante. Existem muitos animais com excelente potencial,  que poderiam contribuir em muito para a pecuária nacional e que estão sendo subutilizados em razão das tais barreiras, que não permitem sua utilização em massa. Esses touros poderiam inclusive aumentar a variabilidade genética das populações, diminuindo a endogamia e aumentando a variabilidade gênica dos rebanhos. Leis são boas, mas, ao longo do tempo, devem ser atualizadas e adequadas às necessidades que surgem”.

Outro girista tradicional que engrossa o coro dos críticos da questão é o Melhor Criador e Melhor Expositor há 12 anos consecutivos. José Luiz Junqueira Barros é membro do Conselho Consultivo da ABCZ e presidente da AssoGir. “Nós já fizemos alguns estudos e manifestamos nosso pensamento. Eu tenho touros que são grandes campeões nacionais, que produzem grandes campeões nacionais e progênies igualmente campeãs e, por essa lei, eles devem ficar para trás, desprezados na seleção do rebanho. O criador tem todo o direito de usar a genética que o agrada e que acha que é boa para o rebanho dele. Algumas raças usam material de touros antigos, de quando nem existiam essas regras. Impor essas questões de forma burocrática, de dentro do escritório, é perigoso. Corre-se o risco de acontecer a mesma situação do Nelore, que está sendo descaracterizado e se desmanchando”, finaliza o presidente da AssoGir.

O criador Antônio Renato Prata, da Prata Agropecuária, de Presidente Prudente (SP), mantém-se bem longe de discussões do mundo virtual, mas tem o mesmo pensamento. O zebuzeiro de 90 anos, que é um dos pioneiros da raça Brahman e também cria Nelore Mocho, resume a questão com poucas palavras. “Acho que o Ministério não tem que se envolver nesse tipo de processo. O comprador deve decidir o que comprar. Simples assim”, finaliza o selecionador conhecido como “Pratinha”.

A assessoria de imprensa da ABCZ informou que representantes da entidade estarão reunidos com a Ministra Tereza Cristina em breve e esse é um dos temas elencados para a pauta.

O MAPA foi contatado por e-mail, mas não emitiu parecer.

O pecuarista José Luiz Niemeyer, que há mais de 50 anos faz história na pecuária nacional, foi entrevistado nesta quarta-feira, dia 26, pelo jornalista Alisson Freitas, da TV DBO. O tema foi a próxima edição do tradicional Leilão Terra Boa, que acontece no dia 7 de julho (domingo), a partir das 13 horas, na sede da fazenda, em Guararapes (SP).

“Já estou com aquela ansiedade pré-leilão, mas isso é bom”, confidenciou Niemeyer durante o programa. “Convido todos os pecuaristas e investidores a participarem do nosso leilão, realizado sempre no primeiro domingo de julho de cada ano, e que terá início logo após o almoço na propriedade”, enfatizou.

O leilão Terra Boa levará a remate 180 animais, selecionados com base em funcionalidade e qualidade genética. “São 90 touros Nelore PO e 30 fêmeas, divididos em 60 lotes individuais e dois megalotes com 15 animais cada, todos com avaliação ANCP, PMGZ e ultrassonografia de carcaça. E mais 50 touros Brangus JT e dez fêmeas, avaliados pelo programa Natura e, também, com ultrassonografia de carcaça”, destacou o pecuarista.

Com frete grátis para toda a malha rodoviária brasileira, o evento será organizado pela Central Leilões e transmitido pelo Canal Rural. Mais informações pelos telefones (11) 3815-5706 e (11) 99666-9926 ou por e-mail: fazterraboa@uol.com.br ou terraboa@uol.com.br.

 

Quatrocentos e vinte empresas expositoras em 30 mil m², trinta mil visitantes e R$ 110  milhões em negócios. Todas as novidades brasileiras em produtos, serviços, ferramentas, maquinários, equipamentos e novas tecnologias para cultivo de frutas, flores, hortaliças e produtos florestais. Soluções para boa alimentação, economia de água e energia, maior produtividade, qualidade na produção, novos mercados, garantia de origem, rastreabilidade, certificação, exportação e novos e exigentes mercados.

É o mais novo palco de atuação em negócios do Serviço Brasileiro de Certificações, empresa líder no mercado de fazendas produtoras e exportadoras de carne bovina para o exigente mercado Europeu (dentro do universo do Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos – Sisbov) e que atua desde o fim do ano passado na certificação de frutas, legumes e verduras dentro do escopo do GlobalG.A.P.

O Responsável Técnico Global Gap e Gerente de Marketing do SBC, Matheus Modolo Witzler, visitou parceiros, prospectou negócios e discutiu projetos e parcerias com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas (ABRAFRUTAS) e várias entidades ligadas ao segmento de verduras e legumes.

Máquina de capina elétrica, saneamento básico rural e urbano, biodigestores, água, energia solar, esgotos e rios, veículos e máquinas elétricas, gestão ambiental de fazendas e cidades, programas de pagamento por serviços ambientais, resíduos, licenciamento, produtos ecológicos.

Estes são os principais temas que marcam os três dias de debates do II Fórum Brasil de Gestão Ambiental, que está sendo realizado em Campinas (SP), no Centro de Eventos D. Pedro.

São dez salas ocupadas por mais de quinhentos profissionais e pesquisadores de prefeituras, governos estaduais, gestores ambientais e representantes de empresas de inúmeros setores, de fabricação de veículos movidos à energias alternativas e camisetas feitas a partir da reciclagem de garrafas pet. O evento também reúne setenta expositores em uma feira de negócios, além de mais de 100 prefeitos e 400 secretários municipais de Meio Ambiente.

O fórum é realizado pela Associação Nacional dos Órgãos Municipais de Meio Ambiente (ANAMMA), com apoio do Ministério do Meio Ambiente. E tem o apoio da Plataforma AgroRevenda do Grupo Publique.

Quarta-feira, dia de sol e muito carinho na recepção da família Prata ao programa Fala Carlão, Carlão da Publique e o repórter cinematográfico Cairo Rodrigues. As amigas Adrianny Prata, Isabela Prata e o ‘Seo’ Antônio, o conhecido ‘Pratinha’, 90 anos de vida, pecuária, história, trabalho e milhões de amigos e parceiros no Brasil inteiro.

Esta última terça-feira foi marcada pela ida do programa Fala Carlão a Bataguassu (MS), para visitar a unidade do Marfrig, em recepção de Marquinhos Molina e do Airton Guerra, que trabalha no ramo de frigorifico desde 1959. Uma prosa pra lá de boa com quem praticamente nasceu dentro de uma indústria. Fala aí amigos!