Blog DSM: Como preparar os animais para o confinamento

Por João Victor Yamaguchi – Zootecnista, Assistente Técnico Comercial da DSM

A Fazenda Santo Antônio, de Manoel Carlos Lemos, localizada no município de Santo Antônio do Aracanguá (SP), faz parte do Programa de Incentivo à Tecnologia Tortuga – PITT e tem como característica a intensificação produtiva nas fases de recria e engorda, utilizando sistemas de suplementação estratégica, semiconfinamento e confinamento.

A atividade de cria ocorre nos estados de Goiás e Tocantins, sendo que a produção dos animais tricross (Matrizes F1: Nelore x Angus ou Nelore x Pardo Suíço ou Nelore x Caracu – Touro Brahman) é levada para o estado de São Paulo para as fases de recria e engorda. Em 2015, essa mesma categoria foi confinada logo após a desmama, produzindo animais superprecoces. Já em 2016, esses animais entraram no confinamento com 17-18 meses de idade. A elevação do preço dos insumos e, consequentemente, maior preço da diária de confinamento justificou a estratégia de elevar o peso de entrada desses animais por meio da suplementação proteico-energética, resultando em bom desempenho e custo de @ produzida mais favorável.

Para esse tipo de suplementação, foi utilizado o Fosbovi Núcleo Proteico (indicado para o preparo de suplemento proteico e/ou energético, enriquecido com Minerais Tortuga – dentre eles o Cromo – e Monensina), misturado a gérmen de milho e polpa cítrica (Tabela 1).

O período analisado quanto aos resultados zootécnicos (Tabela 2) e econômicos (Tabela 3) compreende apenas a fase de pré-confinamento, sendo levado em consideração os últimos 72 dias antes do início do confinamento. Vale ressaltar que os animais foram bem suplementados e manejados durante a fase de recria e, portanto, não ocorreu ganho compensatório. A pastagem predominante é de Brachiaria brizantha cv. Marandu, com boa disponibilidade de forragem durante o período analisado, mesmo compreendendo a fase mais seca e crítica do ano.

Através dos resultados obtidos e com a análise de resultados zootécnicos (Tabela 2), podemos concluir que o Ganho Médio Diário foi excelente e proporcionou desenvolvimento de carcaça para preparar o animal para a fase de engorda.

Além do investimento por @ colocada ser muito interessante (Tabela 3), outros pontos tornam a suplementação proteico-energética, nas fases de recria e pré-confinamento, ainda mais vantajosa. São eles:

– A entrada no confinamento de animais mais pesados, diminuindo a duração dessa fase final de engorda ou abatendo animais mais pesados com a mesma quantidade de diárias;

– Animais mais adaptados aos cochos e alimentos concentrados, resultando em baixos índices de refugo de cocho, menor período de adaptação à dieta de confinamento e maior participação de concentrado na dieta inicial;

– Abate de animais precoces, garantindo nessa propriedade a produção de animais Cota Hilton, com bonificações de até R$ 4,00/@ no momento do abate;

– O animal suplementado na fase de recria tende a apresentar maior rendimento de carcaça, quando comparado a outro animal que não recebeu nenhum tipo de suplemento nessa mesma fase.

A suplementação na fase pós-desmama e pré-confinamento é uma ferramenta que deve ser utilizada em integração com as características quantitativas e qualitativas da forragem disponível, sendo que a escolha do suplemento deve levar em consideração a análise econômica e os objetivos a serem alcançados em termos de produtividade (@/ha/ano).

Pelos resultados discutidos e apresentados, fica evidenciado o efeito positivo da suplementação proteico-energética para bovinos recriados em pastagens tropicais, permitindo aumentar o desempenho animal, aumentar a produtividade, diminuir a idade de abate e melhorar a eficiência e a competitividade da pecuária.