Blog Tortuga DSM: o uso do semiconfinamento também nas águas

Autor: Murillo Calazans Thomaz – Promotor de Vendas da DSM

A bovinocultura de corte tropical tem evoluído muito nos últimos anos, sempre em busca da melhoria da rentabilidade do negócio. Com os custos de produção aumentando em ritmo superior à receita obtida, o principal objetivo tem sido o encurtamento do ciclo para a terminação dos animais, incrementando lucros pelo rápido giro na propriedade. Na indústria convencional de bens, seria a prática chamada de ganho em escala. Aliado a isso, as estratégias adotadas visam à verticalização da propriedade, ou seja, produzir mais no mesmo espaço, principalmente pela grande dificuldade em abrir novas áreas, devido ao rígido controle ambiental atual e ao alto valor das terras.

A suplementação proteica, proteicoenergética e o semiconfinamento vêm se destacando na pecuária moderna como forma de aumentar o Ganho Médio Diário (GMD) dos animais, otimizando o uso das pastagens. Dentre estes, o semiconfinamento rouba a cena no período final de engorda, tornando-a mais eficiente. Características como o fácil manejo, a necessidade de menos instalações físicas, menos mão de obra em comparação a outro processo de engorda intensiva e, principalmente, o aumento na garantia de resultados frente às suplementações convencionais, tornam o semiconfinamento cada vez mais atraente para pecuaristas que querem verticalizar a produção na propriedade.

Esse sistema de suplementação consiste em fornecer em torno de 1% do Peso Vivo (PV) dos animais em concentrado, entre as 11 e as 14 horas (período mais quente), apenas uma vez ao dia e no próprio pasto, o que otimiza a mão de obra da fazenda.

Embora já muito difundido, alguns pecuaristas acreditam que esse sistema só funciona em regiões secas ou com períodos de chuvas/seca bem definidos. Talvez esse mito tenha surgido pelo fato de as regiões secas terem endossado fortemente essa prática de manejo nutricional, quer tenha sido por necessidade ou por oportunidade de negócios. O fato é que regiões que tradicionalmente possuem índices de pluviosidade bem distribuídos durante o ano estão obtendo excelentes resultados com o semiconfinamento.

Se há quem duvide, há também quem faz acontecer. Fernando Pessoa, que foi um grande escritor português, poeta e, também, empresário, disse que “o êxito está em ter êxito e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio senão o fizerem ali?” Nesse contexto, o pecuarista Manoel Almeida e Silva Filho, proprietário da Fazenda Conjunto Monte das Oliveiras, em Itagibá (BA), onde o clima é tropical quente e úmido, com índices pluviométricos em torno de 1100mm/ano e umidade do ar média em torno de 80%, vem mostrando aos pecuaristas da região, através dos resultados obtidos, que o semiconfinamento é uma prática extremamente viável.

Como os resultados na propriedade são muito uniformes, fizemos a análise dos índices zootécnicos em dois lotes terminados através deste sistema de suplementação. Cada lote ficou em uma área de 12 ha durante o período, ambos com 30 animais de genética zebuína. O concentrado foi fornecido na proporção de 1% do Peso Vivo dos animais, composto da seguinte forma: 80% de milho, 10% de caroço de algodão e 10% de núcleo Fosbovi® Confinamento 10.

“Para alcançar estes resultados, eu sou muito cuidadoso, primeiramente em obter animais de boa genética, depois, em relação ao manejo alimentar dos lotes, disponibilizando quantidade de cocho adequada, sempre oferecendo o concentrado no mesmo horário todos os dias, água de boa qualidade, grãos de boa qualidade para a produção do concentrado e, claro, o uso das tecnologias e o suporte técnico da DSM”, conta o proprietário.

Durante o período aos quais os lotes foram submetidos ao semiconfinamento, a pastagem estava madura, próximo ao ponto de feno, e mesmo assim os resultados aconteceram. “Nesse período conseguimos ganhar em média mais de 4,5 @ por animal. Estou muito satisfeito com os resultados e rentabilidade obtida”, relata Manoel Almeida.